É com alegria que compartilho no meu Blog o texto do meu filho Marco Antonio Pitta ( Filosofia -UESC na Bahia.Gratidão, meu filho nós vivenciamos na vida o texto da sua profunda reflexão.Parabéns e que o meu amdao neto poss também vivenciar o ser pai:você.Educar,sempre!
Como podemos vivenciar a educação independente do projeto cartesiano?
Para pensarmos a Educação em princípio, é de fundamental importância reconhecer que esta não é um movimento unilateral entre professores e alunos, ao contrário, é perceber a capacidade de que podemos como professores conceber uma realização digna do objetivo primordial da educação, que é educar com qualidade. Mais que isto a educação é o único caminho capaz de transformar homens em cidadãos comprometidos com suas relações, com novos paradigmas e com o futuro.
A educação sendo uma atividade estritamente humana necessita de bases sólidas para o seu desenvolvimento. Isto poderá ser possível quando o conjunto entre Indivíduo, Sociedade e Valores estiver em consonância com a Realidade. Não obstante, novos pontos de vista se desenvolveram principalmente no século passado, como a Teoria dos Sistemas que defende a Interdependência das relações e explica que não precisamos atuar nos problemas pontuais que surgem específicos de uma categoria de relações, é afastando-se do problema e enxergando-o com um todo interligado que teremos a condição de visualizar tais pontos e adequá-los ás diversas realidades que permeiam nossas relações.
De acordo com o livro Ponto de Mutação do autor Fritjof Capra e o filme do mesmo autor com roteiro de Bernt Amadeus Capra e Floyd Byars, em que as personagens: o poeta, o político e a cientista, dialogam acerca da teoria quântica, a saber, o comportamento aparentemente dualista entre partícula e onda que o elétron assume na eletrosfera do átomo assumindo assim critérios de probabilidades, há um momento em que apenas a cientista e o político conversam sobre a explicação da realidade usando a metáfora da árvore.
É notório observar visões com diferentes perspectivas, que imediatamente nos remete a um grande e profundo questionamento: Como podemos vivenciar a educação independente do projeto cartesiano? Porque o autor do filme escolheu como personagens da trama um político, uma física e um poeta? Seria isso também uma metáfora para a compreensão do mundo em que estamos engajados a defender para as futuras gerações, á exemplo dos índios norte americanos que pesavam suas atitudes visando à sétima geração, conforme foi citado também no filme e que resgata valores perdidos por uma sociedade consumista e contingente?
Traduzir o projeto cartesiano significa que em determinado sistema que nos propomos a estudar, deveremos dissecá-lo em partes cada vez menores para que possamos ter a noção do espaço e tempo e começá-lo a reconstruir utilizando como fundamento o seu método sistemático para analisar e rever possíveis erros e corrigi-los. Descartes defende com este ponto de vista a dualidade entre corpo e alma, portanto o indivíduo separado do Ser. O Ser neste caso específico coincide com o próprio pensamento enquanto que o indivíduo e o mundo será sua extensão. Descartes parte do princípio: Pensamento, Deus e Mundo e a sua Verdade coincide nesta relação.
Numa perspectiva nova a esta questão cito o autor Pierre Weil, na obra “Nova Linguagem Holística” (p.90) sobre a Educação: “A Holopedia ou educação holística considera o ‘ser humano’ como sendo inseparável do ser”. Ainda seguindo o autor ele completa: “A experiência interior é tão importante quanto à exterior e visa dissolver esta distinção que considera uma ilusão dualista.” (p.91) e termina sua consideração citando Ghandi: “A prática é a raiz e a haste da planta, a ciência a folhagem, a virtude a flor e fruto. Separar as disciplinas é cortar a planta.” (p.91).
A Educação do novo milênio precisará reconhecer que o Pensamento não cabe em si de forma sistematizada. Existe ‘algo mais’. É preciso olhar para a qualidade do que se pensa. Portanto, se há relações de interdependência entre o indivíduo e o pensamento, logo haverá também estas mesmas ligações em outras esferas. A relação enfatizada no filme foi exatamente a mais complexa por se tratar do avanço inquestionável de uma ciência, a Física contrapondo outra ciência, a Política, que por ser mais próxima da população acarreta maiores problemas. Essa aproximação e a sua transformação é o maior desafio.
O Pensamento como parâmetro da Educação precisa estar associado á sua Realidade. As emoções, os desejos, quando estão sendo tratados no âmbito das ações afetam diretamente as relações. É disto que se propõe a personagem da cientista em rever conceitos que estão imbricados. Quando olhamos um homem no todo, não nos permitimos apenas olhar de determinada forma conceitual. Esse homem tem os mesmos desejos, precisa ser feliz e estar satisfeito com o trabalho que realiza. Aqui tanto cabe o poder maravilhoso da reflexão filosófica, quanto reconhecer a nossa capacidade de estar num mundo em constante mudança e a partir desse pressuposto nos posicionar frente a ele.
São extremamente valorosos os três conceitos a que Ghandi de referiu em sua citação: Prática, Ciência e Virtude. Nesse contexto entende-se a prática como a propriedade que o homem tem de Aprender, Trabalhar e Brincar. É na Prática Educacional que as relações se fortalecerão e fundamentarão todo o processo; A Ciência traduz-se como todo o caminho que o próprio Homem conquistou, e que precisam torna-se próximo da sociedade; A Virtude é o fruto que nasce e se desenvolve na alma do Homem, exatamente essas atitudes somadas que poderão fazer a diferença para a conquista de um mundo cada vez melhor.
Entender o todo engloba esses aspectos que são reais. E por fim talvez a maior metáfora de todas. Porque o poeta não participa da discussão? Seria essa a chave que Capra utilizou para uma terceira via, ou possível saída para os designios da humanidade? É nele, o poeta, que é capaz de surpreender o todo que almejamos. Educar na totalidade precisa de poesia senão não teria sentido a força com que isso se coloca. Pensar a totalidade em questão não coloca a saída apenas na Política, pois, ela não daria conta; Não coloca a mesma saída nas ciências, principalmente a Física, ela sozinha não iria a lugar algum. Não pode ser também apenas uma questão estética.
Educar é uma compreensão total da natureza humana e tem como característica a ação política, posicionar-se frente situações, estar atento nos caminhos que a ciência nos leva e fazer com que nós e nossos alunos se sintam felizes com novas perspectivas de se orientar pelo mundo. Precisa ser simples, de existir uma atitude poética tal como oferecer um copo d’água a alguém quando se tem sede.
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